Não há dúvidas de que a energia é um insumo básico da indústria. Entretanto, uma parte significativa desse elemento é desperdiçada devido a falhas como perda de calor ou iluminação inadequada. Como o consumo energético representa uma grande parcela do custo final de fabricação de um produto, a economia de energia na indústria é crucial para ganhar competitividade no mercado.
Afinal, as empresas que desejam obter resultados financeiros melhores precisam agir em dois pontos principais: aumento da produtividade e redução de custos de produção. E a eficiência energética contribui justamente para esses objetivos. Para que você entenda melhor sobre energia na indústria, nós conversamos com Ricardo Bernal, especialista de produtos — drives e motion — da Intereng Automação Industrial, uma empresa EDGE Brasil.
Ele aponta os principais pontos de perda de energia e, ainda, indica as melhores soluções. Confira as explicações!
Entenda as formas de energia utilizadas na indústria
A indústria é a principal defensora dos padrões de vida porque é dela que saem a maior parte dos produtos que consumimos. Ao longo dos tempos, o setor passou por grandes mudanças e, atualmente, passa pela chamada 4ª Revolução Industrial, que nos traz o conceito de indústria 4.0.
As fontes de energia foram as grandes impulsionadoras de todas as revoluções no setor e continuam sendo na que estamos vivendo. Todas elas têm como objetivo aprimorar os processos e, por isso mesmo, é preciso que a indústria acompanhe as mudanças.
Quando o assunto é fontes de energia industrial, é comum pensarmos unicamente na energia elétrica. Mas como bem salienta Ricardo Bernal, há outras formas. Para listá-las, utilizamos a sigla em inglês WAGES — water, air, gas, eletricity e steam — que se referem respectivamente à água, ar comprimido, gás, eletricidade e vapor.
De acordo com o especialista de produtos, todas elas são passíveis de desperdício, mas, também, é possível ter economia em todos esses pontos.
Saiba qual é o impacto da perda de energia
Conforme mencionamos, o consumo de energia detém uma grande parcela do preço final de um produto. O aumento do custo desse insumo, seja qual for sua fonte, aliado às perdas e à escassez dos produtos impactam negativamente sobre o valor do que é produzido.
Afinal, o valor do que é desperdiçado também é contabilizado no preço final. Isso faz com que a empresa perca competitividade frente aos concorrentes que conseguem ter uma economia de energia na indústria.
Além de afetar o preço, o uso da energia também afeta a produtividade. Maquinários antigos requerem mais desse insumo e produzem menos. Desse modo, é preciso atualizar o chão de fábrica para garantir o crescimento da empresa no mercado.
Descubra as causas do desperdício de energia
Segundo Bernal, a principal causa das perdas energéticas na indústria se dá pela falta de medição. Somente por meio da aferição de cada ponto é possível identificar onde há desperdício para, posteriormente, estudar a solução mais adequada.
No entanto, deve-se fazer um acompanhamento contínuo, visto que as operações são dinâmicas. Isso permite analisar onde há mais consumo, em que condições isso ocorre e em quais horários isso acontece.
A falta de atualização do parque fabril é outra razão pela qual há perda de energia. Maquinários antigos ou desregulados demandam mais energia, cujo custo será inevitavelmente acrescido no preço final do produto.
Veja quais são as soluções
A maneira mais eficaz de promover a economia de energia na indústria é investir em uma planta inteligente. A automação da iluminação visa corrigir problemas nas plantas industriais, que resulta no uso excessivo da energia elétrica, e, consequentemente, em um custo elevado para a empresa.
Planta inteligente
Uma planta inteligente possibilita também o uso de softwares. A empresa terá dashboards, ou painéis, disponíveis para monitorar todo o consumo energético. Por meio de estudos técnicos, são avaliadas formas de otimizar o uso da eletricidade, seja na parte de iluminação, seja na parte dos equipamentos que necessitam dessa fonte de energia.
CCM
O CCM ( Centro de Controle de Motores Inteligente) fornece informações constantes sobre cada componente. Ricardo Bernal nos explica que, por meio de um CCM, pode-se medir quanto cada motor consome e, assim, permite que os operadores tomem decisões acertadas sobre a forma de operá-los.
Por exemplo, pode-se variar a velocidade do equipamento para que ele consuma menos energia em determinados horários ou, ainda, programar para que o carregamento de um compressor seja feito à noite, que é quando a energia é mais barata.
Inversores de frequência
Outra solução é a instalação de inversores de frequência, que, quando configurados por um técnico capacitado, resultam em uma economia grande para a empresa. O especialista em automação comentou sobre um inversor instalado para a redução de 20% da velocidade de determinado equipamento e que isso gerou uma economia de 50% de energia.
Os inversores regenerativos, por exemplo, devolvem um tanto da energia à rede. Assim, dependendo da carga, ao mesmo tempo que consome, também devolve energia ao sistema, precisando de menos energia externa.
Parceria especializada
Para isso, é imprescindível contar com uma empresa especializada no ramo e que ofereça estudo e suporte técnico para melhorar a eficiência energética no parque fabril. Somente profissionais capacitados conseguem identificar corretamente as perdas de energia e apontar as melhores soluções para cada caso.
Conscientização é a palavra de ordem para garantir o uso de energia elétrica no futuro. Nesse contexto, reduzir o consumo energético na indústria passa a ser um dos maiores desafios da gestão, mas jamais se limita somente a esse setor, já que o propósito de consumo consciente deve se estender a toda a equipe.
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A principal vantagem da eficiência energética é vista no faturamento da empresa. Esse resultado é obtido de diversas formas. Primeiramente, adotar uma planta inteligente não só elimina as perdas de energia como também reduz o consumo. Ou seja, é produzido mais com menos.
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